Tinha apenas 6
anos quando fui à União Zoófila adoptar o meu primeiro animal de
estimação..Estava muito sossegada e enjaulada uma pequena gata,
toda malhadinha de cinzento que me cativou de imediato a mim e à
minha irmã e de imediato aos meus pais também.
A Sissi entrou nas
nossas vidas e completou-me, até porque os meus pais discutiam muito
na altura e eu consegui sempre desligar-me disso brincando com a
minha gata. Meses mais tarde adoptámos um gato, o Farrusco e tiveram
5 bebés. Anos mais tarde o meu pai verificou que estava com ataques
alérgicos devido ao pêlo dos gatos, e um belo dia cheguei a casa e
não tinha nenhum dos gatos em casa. Nem dos bebés, nem dos adultos.
Desapareceram sem qualquer explicação. Até hoje não sei o que
lhes aconteceu, os meus pais nunca me explicaram nada. Na altura
fiquei cheia de raiva, de tristeza, senti-me novamente só com as
discussões dos meus pais, que acabaram por se separar mais tarde.
Nessa tarde cheia de uma dor insuportável prometi a mim mesma que
assim que tivesse a minha primeira casa mesmo sem móveis sem nada a
primeira coisa que iria fazer era adoptar um gato ou gata. Prometi a
mim mesma e cumpri.
Hoje, aos 21
anos, tenho dois gatos. No dia 18 de Junho de 2008 vim morar para a
minha primeira casa. Nesse mesmo dia já trazia comigo um gato com 3
meses, o Mika, que fui adoptar a uma senhora que o encontrou
juntamente com os irmãos abandonados numa bomba de gasolina numa
auto-estrada. Fiquei com o Mika, um gato muito doce, muito carinhoso,
mas que miava constantemente sempre que saía de casa para ir
trabalhar.
Precisamente um
mês depois, durante uma noite de calor, em pleno Verão, sonhei que
tinha efectuado o mesmo percurso para a AZP e que estava lá uma
gatinha à minha espera, para fazer companhia ao Mika. Acordei um
pouco sobressaltada, mas nesse dia 17 de Julho de 2008 dirigi-me à
AZP, só para verificar se o meu sonho tinha sido um perfeito
disparate. Falei com uma das veterinárias, para perguntar se ela
achava que era saudável para o meu gato ter uma companhia ou não.
Ela disse -me logo que 2 gatos se entretêm muito mais do que só um,
e mostrou me uma pequena "jaulinha" cheia de gatos
pequeninos... Mas havia uma, uma menina, linda de morrer,
sozinha..Enquanto os outros brincavam e pulavam, aquela gata estava
na sua mantinha a lamber-se nas patas, toda encolhida, com um ar
assustado mas superior! Foi essa que escolhi. Era exactamente a gata
dos meus sonhos, que estava a pedir a minha ajuda. Na altura senti-me
triste por não puder levar todos aqueles gatinhos comigo, mas aquela
gata... Era muito especial.
Assim que a
Dra. pegou nela, vi logo que iria ter uma grande luta pela frente até
conseguir ganhar a sua confiança...Ela colocou as unhas para fora,
de forma a se puder agarrar ao meu braço e começou a tremer, muito
confusa com o que lhe estava a acontecer. Não queria saír do meu
colo de forma nenhuma! Estava completamente rendida e apaixonada.
Chamei-lhe Amy
e tinha apenas 2meses e meio.Assim que
cheguei a casa, o sr. Mika quis logo cheirar, brincar, morder.De
início não reagiu mesmo nada bem ao ter de partilhar a sua dona e o
seu espaço com outro bichinho engraçado. Mas uma semana depois já
estavam inseparados. O Mika deixou de dormir comigo para começar a
dormir com a Amy. Lambia-a durante horas seguidas, até que ela
começou a sentir-se segura, começou a explorar a casa.
Ainda hoje a
Amy não simpatiza muito com visitas, esconde-se logo. Adora o seu
espaço e a sua liberdade, e não pára nunca de correr e de saltar,
é muito marota! Chega aos sítios mais incríveis dentro de casa, e
está sempre a tentar matar moscas e a ver os pombos da janela.A Amy teve uma
infecção na pele que depois passou para o gato, mas rapidamente se
curou e aguentou perfeitamente!Foi
esterilizada e nessa altura só queria colo e dormir....O Mika
estranhou muito ela não querer brincar com ele, mas percebeu e
acabou também por se tornar molengão nesses dias só por simpatia
com ela. Adoram-se e são inseparáveis.
A Amy aos
poucos foi-se habituando aos meus horários e está sempre à porta
quando eu chego e vai para a janela quando eu saio, e só se afasta
da janela quando me perde do seu campo de visão.

Nunca mas nunca
na minha vida sonhei com o amor incondicional que os animais são
capazes de nos dar. São terapêuticos. Ajudam-me sempre quando estou
em baixo, basta observar as suas brincadeiras para começar a sorrir.
E acredito que
nada na nossa vida acontece por acaso e ter ido adoptar a Amy
comprovou-me isso mesmo. Ela compensa tudo o que o Mika não tem. O
Mika tem coisas do meu feitio e ela tem outras diferentes. Ajudou-me
muito a olhar para mim própria de outra forma e a acreditar sempre
que lá porque em pequenos temos dificuldades (como ela teve ao ser
abandonada e ao ter vivido durante meses fechada numa jaula cheia de
outros companheiros) , a nossa vida não tem quer ficar marcada por
isso. Pelo contrário. Temos que acreditar sempre que um dia vamos
conseguir ser melhores e viver melhor. Dei essa hipótese à Amy e
acabei por dar a mim própria.
Neia Carreira
7 de Abril de 2009
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